A Rádio Vaticano foi inaugurada pelo Papa Pio XI, no dia 12 de fevereiro de 1931, com um discurso em latim, transmitido em todo o mundo. Logo depois da assinatura do tratado de Latrão, em 1929, o Pontífice encarregou Guilherme Marconi de construir uma estação de rádio no âmbito do novo Estado da Cidade do Vaticano, para poder comunicar livremente, para além das fronteiras, e falar aos católicos de todos os países: em muitas regiões do mundo, os regimes totalitários impediam, de fato, a liberdade da Igreja Católica.
A Rádio Vaticano cresceu gradualmente, utilizando um número sempre maior de línguas. Em 1939, o conclave, a eleição e a cerimônia de inauguração do pontificado de Pio XII foram comentados em 9 idiomas. Esse era, de fato, o número das línguas nas quais a Rádio Vaticano transmitia, regularmente, no início da II Guerra Mundial. Durante a guerra, a Rádio constituiu um importantíssimo meio de informação livre. Goebbels propôs reduzi-
la ao silêncio; os membros da resistência francesa transcreviam as transmissões e as distribuíam clandestinamente. A partir de 1940, nasceu, por desejo de Pio XII, uma sede especial dedicada ao lançamento, através da rádio, de apelos e informações para tentar encontrar civis e militares dispersos, e enviar mensagens aos prisioneiros por parte de suas famílias. Em seis anos, foram transmitidas mais de 1 milhão e 200 mil mensagens, em mais de 12 mil horas de transmissões.
A seguir, o domínio comunista sobre a Europa do leste impulsionou a duplicar os programas transmitidos nas línguas dos povos oprimidos. Serviam transmissores mais potentes e uma rede de antenas direcionáveis. Nasceu, assim, o centro de transmissões de "Santa Maria di Galeria", inaugurado em 1957, por Pio XII. Foram potencializadas as transmissões orientadas para os demais continentes: África, América latina e Ásia.
Durante o pontificado de João XXIII, foram dedicadas três mil horas de transmissões, em 30 línguas diversas, ao Concílio Vaticano II. Paulo VI encorajou muito o crescimento de programas informativos e formativos de qualidade. Para isso, a Rádio ganhou uma nova sede no "Palazzo Pio", no início da "Via della Conciliazione" (Avenida da Conciliação). Em 1970, o pessoal aumentou para 280 pessoas, de 38 países diversos, e transmitia em 32 línguas. Com Paulo VI também teve início a era das grandes viagens internacionais, que chegaria a seu ponto alto no pontificado de João Paulo II. A Rádio Vaticano se tornou, assim, itinerante, juntamente com o Pontífice, ampliando seus horizontes e suas relações internacionais. As novas possibilidades oferecidas pela tecnologia moderna levaram a uma rápida transformação das atividades de radiodifusão.
Das tradicionais Ondas Curtas e Médias passamos, na década de 90, às transmissões satelitares – com duas estações terrestres, no Vaticano – e, a seguir, via internet. Um número sempre maior de emissoras de vários gêneros e dimensões – sobretudo as católicas, mas não apenas estas – pôde e pode, assim, retransmitir os programas da Rádio Vaticano: desde 2005, superaram muito o marco das mil emissoras. A produção dos programas passa da tecnologia analógica à tecnologia digital, e os computadores substituem os gravadores de fitas. Os eventos de alcance planetário do Grande Jubileu do ano 2000 e da morte de João Paulo II exigiram muito da Rádio Vaticano, no seu serviço de difusão da mensagem da Igreja Católica no mundo, e multiplicaram as suas formas de colaboração e serviço com emissoras e agências informativas de todo o gênero.
Depois de 27 anos de fundação da Rádio Vaticano, nasceu também o "Programa Brasileiro". Era o dia 12 de março de 1958. Desde então, juntamente com outros programas da RV, constitui o "universo" de países e comunidades da emissora do Papa. Seu primeiro responsável foi o Padre Antônio Aquino, que, na época, era reitor do Pontifício Colégio Pio Brasileiro, em Roma. Em todos esses anos, nossa redação contou com a colaboração direta de vários bispos, sacerdotes e leigos. A atual equipe do Programa Brasileiro é composta por Padre Cesar Augusto dos Santos SJ (responsável), Bianca Fraccalvieri, Cristiane Murray, Elisa Dametto, Raimundo Carlos de Lima, Mariângela Jaguraba e Silvonei José Protz. Somos um grupo de profissionais da comunicação irmanados pelo desejo de levar ao povo brasileiro e aos ouvintes de língua portuguesa espalhados pelo mundo, a voz e os ensinamentos do Santo Padre, o Magistério da igreja e as notícias da Igreja no mundo. Paralelamente, buscamos oferecer um amplo panorama das notícias internacionais, dando ênfase aos temas e questões relacionadas com a liberdade e os direitos humanos, sobretudo o direito à vida. Acreditamos firmemente que a base de uma boa formação é a boa informação.
Além disso, as reflexões, análises e orientações oferecidas pelos sacerdotes que
colaboram com a nossa equipe, fornecem os fundamentos necessários a uma correta análise e avaliação da realidade que nos circunda, a fim de que possamos defender e promover os valores cristãos e a dignidade do ser humano no seio de cada cultura, num mundo marcado pela dor, pela indiferença e pela injustiça. Um mundo que clama por uma nova evangelização.
A Rádio Vaticano, graças também à Rádio Aparecida - Rede Católica de Rádio, Rede Canção Nova de Rádio, Rede Maria e Rede Fraternidade - hoje pode ser ouvida em todo o Brasil. Além das emissoras que nos retransmitem, e são dezenas em todo o país, nós oferecemos uma programação também através do satélite, internet e Ondas Curtas. Várias rádios no continente africano também retransmitem o Programa Brasileiro.